Talvez sejam somente “palavras ao vento”, sentimentos sem fundamento.
O dia 12 de dezembro seria o fim de uma dita experiência sociológica, mas o fim não chegou. Perder o vôo por 10 minutos, excesso de bagagem de 22kg, falta de outros vôos, impossibilidade de remarcação da passagens. Tarifas abusivas, ter que voltar para republica, uma escova progressiva estragada pela chuva que resolve cair como um balde de água. Voltar pra casa de ônibus como uma retirante que não quer mais ficar na cidade grande...Este foi o fim de um recomeço...
Na estrada, durante 32h, pensei em tudo que vivi durante quase 11 meses longe de casa.
Momentos que marcarão minha vida para sempre, que me transformaram em outra pessoa.
Decepção foi a primeira pancada que recebi. Menos de 1 mês na babilônia, perdida, sem saber exatamente o que queria nessa selva de pedra. Confiar em alguém, ter como um porto seguro, um amigo, um ombro, talvez um colo e ouvir que esta fazendo mal pra ela, que é ingrata. Até hoje não consigo lembrar essas palavras sem dor. Ele me fez acordar, e descobrir como as pessoas podem ser más, cruéis e egoístas. Passei muitas noites chorando, numa tristeza que dava dó de mim.
Morar numa Republica, dividir o quarto com mais três mulheres, banheiro sujo, água de torneira, coca-cola quente, cachorro, gato, coelho, carrapatos, barulho, baratas...Roubo, tristeza, solidão, crise alérgica... Engordar, emagrecer, engordar, emagrecer... Perder o sono, não conseguir dormir e tentar acordar disposta. Filme com mendigos, ficar sozinha em Hospital publico, buscar trabalho, apartamento... Ser enganada, e estar muito cansada disso! E eu que não sou assim, muito de ganhar, posso me considerar uma vencedora...
Posso dizer que ouve o lado bom e que não tem preço. Cumplicidade, respeito, muita intimidade, carinho, festinhas, fazer comidinhas deliciosas, noites no supermercado, bebedeiras, risos e mais risos, companhia... Morar praticamente na Av. Paulista. Andar sem rumo de madrugada, ir à feira todo domingo, depois passar na Liberdade para comer um hot roll frio. Comer pizza quase todos os dias, fazer compras sem controle, olhar as pessoas com olhos de criança, tomar cerveja, vodka, Xiboquinha, quase todos os dias. Andar de metrô e usar isso como referencia de localização. Ir para qualquer canto despreocupada se iria acertar chegar ou não. Baladas gays, meter o pé na jaca, perder documentos, chorar horas sem parar, trabalhar de virote! Cansei...
Se envolver com pessoas estranhas, desconhecidas, sem culpa e sem medo. Pensar em romance. Se Apaixonar por um louco, por um vadio, por um bêbado, por um canalha e outro cretino. Ai se eu agüento ouvir outro não... Eu zanguei...
Participar de uma gira de candomblé com forças estranhas que naquele momento eram chamados de Exus, teoricamente eram... Mas hoje já não creio, ouvi frases que me despertaram e me deprimiram. Palavras vagas com pouco significado e já outras bastante significativas. Tudo muito estranho... Desconfiada que sou, não dei ouvidos e nem dei continuidade ao que a “Mãe” queria. Não, eu não sambo mais em vão...
Trabalhar com moda e não conseguir entender a super valorização de uma peça por causa de uma simples etiqueta. Participar de eventos de moda, fazer produção para catálogo, ficar em contato com todo processo de desenvolvimento e produção. Colecionar aviamentos, tecidos e moldes. Aprender muito todos os dias.
Tão bom ter feito amigos que espero guardar comigo pro resto da vida. Viver com pessoas tão diferentes e conseguir viver bem. Amar cada um de um jeito diferente. Chorar em despedidas, sorrir com carinho, agradecer presentes inusitados, ficar impressionada com demonstrações de afeto, sentir o peito apertado só de imaginar o vazio que ficará... E ficou cantando para Saudade...
quarta-feira, 3 de março de 2010
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